Para você
Para você, e que este pequeno livreto torne os bons momentos de sua vida mais alegres e os momentos difíceis mais suportáveis
SUMÁRIO
06-UMA HISTÓRIA QUE IRÁ REVOLUCIONAR A SUA VIDA!
07-A ESCRAVIDÃO AO DESERTO
08-UM POVO CATIVO
09-A INTERVENÇÃO VEM DO ALTO
10-SE NINGUÉM FALA, EU FALO
11-FÁCIL NÃO É, MAS, VALE A PENA
12-A FRAGILIDADE DA NATUREZA HUMANA
13-O MAR VERMELHO ENSINA
14-PRINCÍPIOS
15-A SAGA CONTINUA
16-A MENTE HUMANA ENGANA
17-DEUS SEMPRE RESPONDE
18-É PRECISO CRER
19-A EXPLICAÇÃO
20-PARE E REFLITA
21-ANOS MAIS TARDE
22-MAIS UMA CONFUSÃO
23-TUDO TEM UM PRÓPOSITO
24-MUDANÇA DE DIREÇÃO
25-DEUS TEM UM PADRÃO
26-NÃO QUERER ENXERGAR
27-COMO ANDA SUA VIDA?
28-UM NOVO RECOMEÇO
29-RENOVAÇÃO
30-O TEMPO NÃO PARA
31-INTERPRETAÇÕES ERRADAS
33-A SENTENÇA UMA HORA CHEGA
34-AS 6 CAMADAS
37-DURANTE OS 40 ANOS
38-MILAGRES NÃO PARAM
40-FALTA COMPREENSÃO
41-O QUE ERA O DESERTO?
42-DIAS ATUAIS
43-A VITÓRIA CHEGOU
44-NOVA FASE
45-SAIBA ESPERAR
46-PERGUNTAS E RESPOSTAS
48-NÃO DESISTA, INSISTA
50-UMA ÚLTIMA MENSAGEM
51-MENSAGEM DE OTIMISMO E FÉ
PREFÁCIO
A Arte de Viver Bem – encontrando alegria e leveza, é parte de algumas memórias descritas na história milenar.
Uma descrição do caminho seguido por inúmeras pessoas, e dos desafios que eles tiveram de enfrentar.
Um povo organizado, em todos os seus ramos e formulações, mudaram a vida de muitos ao longo do tempo.
Para quem é este livro?
Você já perdeu amizades e relacionamentos por falta de maturidade?
Já perdeu o emprego ou um bom negócio por falta de paciência?
Já se enrolou financeiramente por que não teve autocontrole?
Já esteve ou está e uma situação desconfortável onde não encontra uma saída, uma solução?
Se você disse sim a uma dessas perguntas, este livro é para você!
Não deixe para depois a mudança pessoal que você pode provocar agora mesmo!
Boa leitura e uma excelente vida.
6-UMA HISTÓRIA QUE IRÁ REVOLUCIONAR A SUA VIDA!
Não espere 40 anos para chegar do outro lado.
O quanto antes for aprendida a lição, menor será a estadia na zona de desconforto.
No decorrer da vida muitos são os percalços pelos quais se passa.
Sofrimento que nos faz chorar, murmurar, gritar enfim, nos levam a um desespero total onde a angústia parece não ter fim.
Coisas não boas vão acontecendo independentemente de nossa vontade.
E isso é um fato real.
É como se uma força maior, arbitrariamente, agisse ao seu bel prazer, não se importando com quem é atingido.
A vida nos conduz a um estado mental e físico de quebra total, levando-nos ao fundo do poço.
Onde a existência de uma luz no fim do túnel parece impossível existir.
Saiba que nestes momentos é vital ter paciência, e olhe que isso é algo dificílimo para quem está numa situação delicada.
No decorrer das linhas que se seguem, buscaremos nas histórias milenares, encontrar pontos chaves que lhes ajudarão a compreender e sair da situação desconfortável em que se encontra.
Assim como já me ajudaram um dia; agora chegou o momento de proporcionar um alivio aos seus dias.
Recomendo que a cada linha lida faça uma reflexão, relacionando-o com sua vida, isto é, fazendo uma conexão com o que está enfrentando no momento.
Ao final desta leitura você vai entender algo mais sobre a vida, e sobre si mesmo, e como os ensinamentos milenares estão repletos de princípios aos quais são essenciais na vida de qualquer ser humano.
A vida não deve ser desperdiçada em momentos de dúvidas e medos.
Viva uma nova fase, onde a verdadeira história começa superando obstáculos.
7-DA ESCRAVIDÃO AO DESERTO
O que leremos a seguir é o relato de uma história milenar, que atravessou gerações e continua sendo umas das lições de aprendizado mais conhecidas pela humanidade, mas, poucos são os que fazem uma análise “fria”, uma reflexão com os dias atuais. Enfim, poucos são os que traçam um paralelo desta narrativa com sua própria vida. Bora lá!
O Antigo Testamento relata a saída do povo hebreu do Egito.
Onde vagaram pelo deserto durante 40 anos, e somente depois deste período é que chegaram à terra prometida.
Observando geograficamente, este mesmo percurso levaria apenas onze dias para ser percorrido.
Isso mesmo! onze dias de caminhada do Monte Sinai até a terra prometida.
Em vez disso, foram longos 40 anos.
Uma geração inteira.
Cada homem e cada mulher acima dos 20 anos, morreram no deserto sem jamais pisar na terra que Deus havia prometido ao povo hebreu.
Seus ossos ficaram espalhados pela areia do Sinai, de um extremo ao outro do deserto. Agora pensemos nisso só por um momento. O mesmo Deus que tinha acabado de destruir o império mais poderoso da terra (Império Egípcio) com 10 pragas sobrenaturais. O mesmo Deus que rasgou o Mar Vermelho como uma cortina. O mesmo Deus que alimentava milhões de pessoas toda manhã com pão que caía do céu (Maná). Esse mesmo Deus olhou para o seu próprio povo e disse: “Vocês não vão entrar. Vocês vão vagar. Vocês vão morrer aqui fora”.
Por isso, essa não é uma simples história bíblica.
Esse é um dos capítulos mais perturbadores, mais desafiadores e mais transformadores de toda a Sagrada Escritura.
Porque a resposta a essa pergunta, por que 40 anos; vai forçar você a olhar para a sua própria vida de um jeito para o qual talvez não esteja preparado. Continue a leitura, porque até o final desta leitura você vai entender algo a mais sobre Deus, e sobre si mesmo e sobre os desertos da sua própria vida que nunca entendeu antes.
Voltemos ao começo da história bíblica para entender melhor o decorrer da leitura.
8-UM POVO CATIVO
O povo de Israel foi escravo no Egito por mais de 400 anos. Não eram convidados. Não eram imigrantes. Eram sim escravos. Faziam tijolos debaixo de um sol impiedoso. Suas costas eram rasgadas pelos chicotes dos capatazes egípcios. E quando o faraó decidiu que estavam se multiplicando demais, deu uma ordem que ainda faz o sangue gelar. O faraó disse: “joguem todo menino hebreu recém-nascido no Nilo”. 400 anos, geração após geração, nascendo em correntes, vivendo em correntes, morrendo em correntes. Isso não é apenas história. Esse é o tipo de trauma que reprograma o jeito como um povo inteiro pensa, sente e enxerga o mundo.
Lembre-se disso que acabamos de mencionar, pois vai se tornar importante muito em breve.
>9-A INTERVENÇÃO VEM DO ALTO
Então Deus interveio junto ao povo. Ele levantou Moisés, um bebê hebreu escondido em um cesto no rio Nilo, encontrado pela própria filha do faraó, criado no palácio, exilado no deserto depois de matar um capataz egípcio e por fim chamado de volta através de uma sarça que ardia sem se consumir.
Deus disse a Moisés: "Eu vi o sofrimento do meu povo, ouvi o seu clamor, conheço a sua dor e desci para libertá-los.
E ele os libertou. Dez pragas caíram sobre o Egito, cada uma mais devastadora que a anterior, cada uma um ataque direto contra um dos deuses egípcio, já que eram vários. O rio Nilo se transformou em sangue. A escuridão engoliu a terra por três dias. E na última e terrível praga, o primogênito de cada família egípcia morreu em uma única noite. O faraó se quebrou. Disse ao povo hebreu: “saiam”, ele disse, “peguem o seu povo e vão embora”. E naquela noite, à noite da Páscoa, milhões de israelitas saíram do Egito. Saíram carregando ouro e prata que os egípcios lhes deram. Saíram sob a proteção de um Deus que acabara de colocar a nação mais poderosa da terra de joelhos.
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SE NINGUÉM FALA, EU FALO
Mas aqui está algo de que ninguém fala. Eles saíram do Egito, mas o Egito não saiu deles. Guarde essa frase, anote se precisar. Essa é a chave para tudo o que acontece a seguir.
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FÁCIL NÃO É, MAS, VALE A PENA
Deus tirou Israel do Egito em uma única noite, mas tirar o Egito de dentro de Israel, a mentalidade de escravo, o medo, a identidade de vítima, a visão distorcida de Deus, isso levaria 40 anos e alguns nunca se libertariam disso.
Poucos dias depois de saírem do Egito, veio a primeira prova. O faraó mudou de ideia e enviou todo o seu exército, 600 carros de elite, cavalaria, infantaria, trovejando pelo deserto atrás dos israelitas. Imagine a cena. Os israelitas estão acampados junto ao Mar Vermelho. Atrás deles, a nuvem de poeira da força militar mais temida do mundo antigo, se aproximando rapidamente. Na frente deles, nada além de água. Estão encurralados.
E o que eles disseram? “Foi por não haver sepulturas no Egito que nos trouxe aqui para morrer? Nós dissemos para nos deixar em paz. Teria sido melhor servir os egípcios do que morrer neste deserto.”
Percebeu isso? Eles eram livres. Havia questão de dias. Isso mesmo, somente alguns dias. E já estavam dizendo que a escravidão era melhor. Já estavam reescrevendo a história como se 400 anos de chicotes, correntes e bebês afogados fossem de alguma forma preferíveis a um único momento de incerteza.
Isso não é a história antiga, isso é a natureza humana exposta.
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A FRAGILIDADE DA NATUREZA HUMANA
Nós fazemos a mesma coisa. Romantizamos as prisões que conhecemos porque temos pavor da liberdade que não conhecemos. Escolhemos a dor familiar (dor que já conhecemos) em vez da possibilidade desconhecida. Mas Deus não tinha terminado. Moisés levantou o seu cajado. Um vento começou a soprar. Um vento leste violento, que rugiu durante a noite inteira. E pela manhã, o mar havia se partido em dois. Duas paredes de água de pé, como um arranha-céu de cada lado; entre elas terra seca. Uma nação inteira passou a pé. Homens, mulheres, crianças, idosos, animais, todos eles caminhando no fundo do mar. Quando o exército egípcio os seguiu, Deus soltou as águas, cada carro de guerra, cada cavalo, cada soldado, desaparecidos. Em minutos, o exército mais poderoso do planeta deixou de existir. Israel explodiu em celebração. Cantaram, dançaram. Mirian pegou um pandeiro. Foi o maior dia da sua história.
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O MAR VERMELHO ENSINA
Agora aqui tem algo que a maioria das pessoas não percebe. O Mar Vermelho não foi apenas um resgate, foi uma ruptura. Quando aquelas águas desabaram sobre o exército egípcio, também desabaram sobre qualquer possibilidade de volta.
O caminho de regresso ao Egito desapareceu. Enterrado debaixo do mar.
Deus não tinha apenas aberto uma porta para a frente. Ele trancou a porta atrás deles para sempre. E, no entanto, e essa, é a parte assustadora, mesmo com a porta trancada, mesmo sem nenhum caminho físico para voltar, o coração do povo passaria os próximos 40 anos tentando retornar a um lugar que já não existia mais. O faraó nas águas estava morto, mas o faraó nas suas cabeças ainda estava vivo.
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PRINCÍPIOS
Aqui está um princípio que vai mudar a forma como você enxerga a sua própria vida. Deus pode mudar as suas circunstâncias em uma única noite, mas mudar a sua mente, mudar a forma como você se vê, a forma como responde ao medo, a forma como confia, isso é um processo. E às vezes esse processo leva muito, muito tempo.
Quanto tempo durou a gratidão pelo Mar Vermelho? Resposta certa: Três dias. Isso mesmo, três dias depois de verem Deus partir um oceano por eles, diante dos seus olhos, os israelitas chegaram a um lugar chamado Mara. Havia água ali, mas era amarga, impossível de beber. E imediatamente, imediatamente se voltaram contra Moisés. Disseram: - O que vamos beber? Nenhuma oração, nenhum Deus. Tu acabaste de dividir um mar. Certamente podes lidar com isso. Nada, só reclamações, só acusações. Deus respondeu com graça, mostrou a Moisés um pedaço de madeira para jogar na água e ela se tornou doce. Crise resolvida, lição oferecida.
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A SAGA CONTINUA
Mas a lição foi aprendida. Um mês e meio depois, a murmuração explodiu de novo. Dessa vez por causa de comida. E as palavras que usaram são chocantes. Murmuravam dizendo: Quem dera tivéssemos morrido no Egito. Pelo menos lá nos sentávamos junto às panelas de carne e comíamos até nos fartar. Vocês nos trouxeram a este deserto para nos matar de fome.
Preste atenção no que estão fazendo. Estão romantizando a escravidão. Estão falando das panelas de carne do Egito, como se jantassem à mesa do faraó. Eram escravos. Escravos não se sentam junto a panelas de carne, mas a mente humana tem uma capacidade incrível de reescrever o passado quando o presente é desconfortável.
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A MENTE HUMANA ENGANA
E aqui a coisa fica pessoal. Quantos de nós fazemos a mesma coisa? Quantos de nós olhamos para trás para um relacionamento tóxico, um emprego sem futuro, um hábito destrutivo? E pensam: "Pelo menos eu sabia o que esperar?" Quantos de nós preferem voltar para uma gaiola conhecida a caminhar em direção a uma liberdade desconhecida?
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DEUS SEMPRE RESPONDE
Deus poderia ter respondido com ira. Em vez disso, respondeu com pão. Naquela tarde, bandos de codornizes cobriram o acampamento. E na manhã seguinte, quando o orvalho se dissipou, o chão estava coberto com algo que ninguém jamais tinha visto. Uma substância fina, branca, em flocos, doce como bolacha de mel. "Man hu?", o povo perguntou: "O que é isso?" E assim foi chamado maná, pão do céu.
Toda manhã, durante 40 anos, o maná aparecia no chão. Cada família recolhia apenas o suficiente para aquele dia. Se alguém tentava estocar para o dia seguinte, apodrecia e enchia de vermes. Se recolhia demais, ficava apenas com o necessário. Se recolhia de menos, ainda assim tinha o suficiente. Isso não era apenas comida, era uma aula diária de confiança.
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É PRECISO CRER
Toda manhã você precisava crer que Deus ia suprir de novo. Não dava para acumular graça, não dava para guardar fé para um dia difícil. Você tinha que acordar, sair e confiar. Todo santo dia.
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A EXPLICAÇÃO
O próprio Moisés explicou mais tarde o significado mais profundo. Em Deuteronômio, capítulo 8, pode encontrar a explicação: “Ele te humilhou, te fez passar fome e te alimentou com o maná para te ensinar que o homem não vive só de pão, mas de toda palavra que sai da boca de Deus”. Pense no que Deus estava fazendo aqui. Ele estava reprogramando o entendimento de provisão de uma nação inteira. No Egito, o pão vinha do faraó. Você trabalhava para obtê-lo. Você o merecia. Você dependia de um senhor humano para sobreviver. No deserto, o pão vinha do céu. Você não o ganhava por mérito, não podia ganhá-lo. Você acordava e ele estava lá. Deus estava sistematicamente desmontando a economia de escravidão nas suas mentes e substituindo-a por uma economia de graça. Você não trabalha pelo meu amor. Você o recebe toda manhã.
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PARE E REFLITA
E aqui está algo que deveria fazer você parar e refletir.
Quando os israelitas tentaram estocar o maná, quando recolheram a mais e tentaram guardar para o dia seguinte, ele apodreceu, encheu-se de larvas, ficou com mau cheiro. Mas na sexta-feira, quando Deus disse para recolherem o dobro para o sábado, a porção extra ficou perfeitamente fresca. O mesmo maná, as mesmas condições, resultado diferente. Por quê? Porque a obediência preserva o que a ganância destrói.
Quando Deus manda guardar, dura. Quando você tenta guardar por medo e desconfiança, apodrece nas suas mãos.
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ANOS MAIS TARDE
Milhares de anos depois, quando o diabo tentou Jesus no deserto, o que Jesus disse? As mesmas palavras de Deuteronômio 8. O homem não vive só de pão. O maná não era apenas provisão para Israel. Era uma profecia apontando para algo, alguém muito maior. O próprio Jesus diria mais tarde: "Eu sou o pão da vida". Os seus antepassados comeram o maná no deserto e morreram. Mas este é o pão que desce do céu, para que todo aquele que dele comer não morra.
O maná sempre apontou para ele, mas as reclamações não pararam.
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MAIS UMA CONFUSÃO
Em Refidim brigaram novamente por causa de água. Moisés clamou a Deus: "O que vou fazer com este povo? Eles estão prontos para me apedrejar?" Deus disse a Moisés que batesse na rocha com o seu cajado. A água jorrou. Mais um milagre, mais uma queixa resolvida, mais uma lição ignorada.
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TUDO TEM UM PRÓPOSITO
Então veio Amaleque, a primeira batalha de Israel como povo livre, e ela ensinou algo que cada um de nós precisa ouvir. Enquanto Josué lutava na planície abaixo, Moisés ficou no topo de uma colina com os braços erguidos ao céu. Quando seus braços estavam levantados, Israel vencia. Quando seus braços caíam de exaustão, Amaleque vencia.
Então, Arão e Ur ficaram de cada lado de Moisés e sustentaram seus braços até o pôr do sol. A vitória não dependia do tamanho do exército, dependia da postura do líder e do apoio da comunidade. Ninguém vence sozinho, nem na guerra, nem na vida, nem na fé.
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MUDANÇA DE DIREÇÃO
Agora chegamos ao Sinai. E aqui a história toma um rumo que vai determinar tudo.
Três meses depois de saírem do Egito, o povo chegou ao pé do monte Sinai. A montanha tremeu. Fumaça subia do seu topo como de uma fornalha. Raios cortavam o céu. O som de uma trombeta que não vinha de mãos humanas ficava cada vez mais alto, até que o acampamento inteiro tremia. E Deus falou em voz alta para uma nação inteira.
Ele deu os 10 mandamentos e repare como começou. Não com uma exigência, com uma lembrança. Eu sou o Senhor, o teu Deus, que te tirei do Egito, da terra da escravidão.
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DEUS TEM UM PADRÃO
Primeiro a graça, depois a lei, primeiro o resgate, depois a resposta. Esse é sempre o padrão de Deus. Ele não diz: "Obedeça-me para que eu te salve". Ele diz: "Eu já te salvei, agora eis como viver".
Moisés então subiu à montanha para receber as tábuas de pedra e instruções detalhadas para o tabernáculo, a tenda sagrada, onde Deus habitaria fisicamente no meio do seu povo. Ele ficou fora durante 40 dias e nesses 40 dias tudo desmoronou.
O povo foi até Arão, o próprio irmão de Moisés, o sumo sacerdote, e disse: "Faça deuses para nós. Esse Moisés que nos tirou do Egito, quem sabe o que aconteceu com ele?" E Arão, no que talvez seja a maior falha de liderança de toda a Bíblia, recolheu seus brincos de ouro e os fundiu num bezerro de ouro, uma estátua, um ídolo.
E o povo dançou ao redor e declarou: "Estes são os teus deuses, ó Israel, que te tiraram do Egito.
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NÃO QUERER ENXERGAR
Pare. Simplesmente pare e pense no que está acontecendo aqui." Essas pessoas tinham visto as 10 pragas com os próprios olhos. Tinham caminhado pelo Mar Vermelho em terra seca, comiam pão sobrenatural toda manhã, estavam acampadas ao pé de uma montanha que literalmente tremia e fumegava com a presença de Deus. E em seis semanas, seis semanas derreteram suas joias para fazer uma vaca e a adoraram.
Esse momento destrói uma das nossas convicções mais profundas, a de que se as pessoas vissem provas suficientes, acreditariam. Se presenciassem milagres suficientes, seriam fiéis. Não. Evidências não produzem fé. Milagres não transformam corações. Você pode ver Deus partir o mar na segunda-feira e construir um ídolo na terça, porque o problema nunca foi falta de provas. O problema era a condição do coração. E repare no que fizeram. Não criaram um Deus novo, fizeram um bezerro, o touro sagrado do Egito, Ápis, os deuses com os quais cresceram na escravidão.
Quando a pressão veio, quando a espera ficou longa demais, não buscaram algo novo, voltaram para algo antigo, algo egípcio, algo familiar. É isso que torna o bezerro de ouro tão devastador. Não foi apenas idolatria, foi regressão. Foi a prova de que, mesmo estando à sombra do Monte Sinai, com a fumaça da presença de Deus, ainda subindo atrás deles, a atração do Egito, a atração da velha identidade, dos velhos deuses, do velho jeito de pensar, ainda era mais forte do que a atração da liberdade.
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COMO ANDA SUA VIDA?
Você já viu isso na sua própria vida? Você tem uma conquista, ouve de Deus com clareza, dá um passo em direção a algo novo. E então, no momento em que as coisas ficam desconfortáveis ou incertas, se pega voltando para aquilo de que Deus te libertou, o velho hábito, o velho relacionamento, a velha mentalidade.
Esse é o bezerro de ouro e todos nós construímos um. E é justamente por isso que o deserto era necessário.
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UM NOVO RECOMEÇO
Quando Moisés desceu e viu o bezerro de ouro, quebrou as tábuas de pedra no chão. A Aliança foi despedaçada antes mesmo de ser ratificada. Deus os chamou de povo de dura Cerviz, como um boi teimoso que recusa o julgo.
Mas pela intercessão de Moisés, Deus não os destruiu, perdoou. As tábuas foram reescritas, a aliança foi renovada, mas o padrão estava estabelecido.
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RENOVAÇÃO
Esse povo precisava de mais do que uma saída milagrosa do Egito. Precisava de uma renovação interna completa. E esse tipo de renovação não acontece em um dia, uma semana ou sequer um ano.
Agora chegamos ao momento que mudou tudo, o ponto de virada, o evento único que transformou uma viagem de 11 dias em uma sentença de 40 anos.
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O TEMPO NÃO PARA
Dois anos depois de saírem do Egito, os israelitas chegaram a Cades Barnéia. Estavam na fronteira sul da terra prometida. Podiam vê-la. O destino estava ali mesmo. Moisés enviou 12 espias, um de cada tribo, a Canaã, para explorar a terra. Ficaram fora 40 dias. 40 dias. O mesmo número que voltaria para assombrar toda esta história.
Quando retornaram, traziam um cacho de uvas tão grande que dois homens precisaram carregá-lo em uma vara entre eles. Pense nisso. Um único cacho de uvas tão grande que precisou de dois homens adultos e uma vara de madeira. Também trouxeram romãs e figos. Para um povo que não comia nada além de maná havia 2 anos. Essas frutas eram a prova de que a terra prometida não era um conto de fadas, era real, era fértil e estava ali para ser tomada. A terra é incrível, relataram, maná, leite e mel.
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INTERPRETAÇÕES ERRADAS
Mas então veio a palavra que destruiu uma geração.
Porém, porém o povo que vive lá é poderoso. As cidades são fortificadas e vimos os descendentes de Anaque, os gigantes.
Agora preciso que você repare em algo.
Todos os 12 espias concordaram que a terra era boa. Cada um deles viu as uvas, o leite, o mel. Os fatos não estavam em discussão. O que os dividiu não foi o que viram, foi como interpretaram o que viram.
Os 10 espias olharam para as evidências e viram a derrota.
Dois olharam para as mesmas evidências e viram vitória.
A mesma terra, os mesmos gigantes, o mesmo Deus.
Conclusões completamente diferentes, porque a diferença nunca esteve nos dados, esteve na perspectiva, e a perspectiva foi moldada pela identidade.
Dez dos 12 espias disseram algo que revela a profundidade da sua autoestima quebrada. Aos nossos próprios olhos parecíamos gafanhotos e assim também parecíamos aos olhos deles gafanhotos. Depois de tudo o que Deus tinha feito, olharam para si mesmos e viram insetos.
Essa não era uma avaliação militar, era uma crise de identidade. Não disseram: "Os gigantes são fortes demais para Deus". Disseram: "Nós somos pequenos demais". 400 anos de escravidão os tinham convencido de que não eram nada. (você está a um dia, uma semana, um mês, um ano; enfim, está a um tempo passando por uma fase ruim, convencido de que você não é nada, não é ninguém, se sentido derrotado?)
E nenhuma quantidade de milagres tinha sido suficiente para mudar essa convicção. Apenas dois espias, Josué e Calebe, viram de forma diferente. Disseram eles: "A terra é extremamente boa, disseram. Se o Senhor se agradar de nós, ele nos conduzirá até lá e nos dará essa terra. Não tenham medo. A proteção deles se foi e o Senhor está conosco”.
A resposta do povo sabe qual foi? Quiseram apedrejar Josué e Calebe. Quiseram matar os dois únicos homens que falavam a verdade. E então disseram as palavras que selaram o seu destino: "Vamos escolher um líder e voltar para o Egito”. Voltar para o Egito, depois das pragas, depois do Mar Vermelho, depois do maná, depois da voz de Deus na montanha, queriam eleger um novo líder e marchar de volta para a escravidão.
E foi aí que Deus falou: "Até quando este povo me tratará com desprezo? Até quando se recusarão a crer em mim, apesar de todos os sinais que realizei no meio deles?"
Essa não é a voz de um tirano irado, é a voz de um pai de coração partido. Até quando? Quantos mares eu preciso abrir? Quantos milagres eu preciso fazer? Quantas manhãs de pão do céu até vocês confiarem em mim?
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A SENTENÇA UMA HORA CHEGA
E então veio a sentença. Nenhum daqueles que viram a minha glória e os sinais que realizei no Egito e no deserto, mas que me desobedeceram e me testaram 10 vezes, nenhum deles jamais verá a terra que prometi aos seus antepassados. Os corpos de vocês cairão neste deserto. Seus filhos vagarão por 40 anos, um ano para cada um dos 40 dias que os espias exploraram a terra. E vocês saberão o que significa ter-me contra vocês. 40 anos, um ano por dia. A simetria é devastadora. Mas por quê? O que estava realmente por trás desse julgamento?
Deixe-me ir fundo, porque a resposta superficial, Deus estava punindo a desobediência deles, é verdadeira, mas incompleta. Existem camadas aqui que a maioria das pessoas nunca enxerga.
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AS 6 CAMADAS
A primeira camada é a crise de identidade Centenas de anos de escravidão não quebraram apenas seus corpos, quebraram o modo como se viam. Não conseguiam conquistar uma terra porque não conseguiam se ver como conquistadores. Olhavam para os gigantes e se sentiam gafanhotos. Isso não era covardia no sentido tradicional. Era um povo tão psicologicamente destruído por séculos de opressão que literalmente não conseguia se imaginar como algo além de vítimas. E aqui está a aplicação desconfortável. Quantos de nós estamos na fronteira de algo que Deus prometeu, um chamado, um propósito, uma conquista? E não damos o passo porque lá no fundo ainda nos vemos como gafanhotos. Ainda carregamos a identidade que o nosso passado nos deu em vez da identidade que Deus declarou sobre nós. O deserto foi a resposta de Deus para essa crise. Ele não conseguia remover a mentalidade de escravo daquela geração. 400 anos de programação eram profundos demais. Mas ele podia levantar uma nova geração, nascida no deserto, alimentada pelo céu, guiada pela nuvem de Deus, que nunca conheceu a escravidão. Uma geração cuja identidade não foi moldada pelo faraó, mas pelo próprio Deus.
A segunda camada é o perigo da incredulidade. É preciso ser preciso sobre isso. O pecado de Israel não foi ignorância. Não foram punidos por não conhecerem Deus, foram punidos por conhecerem Deus, por terem visto o seu poder com os próprios olhos e ainda assim escolherem não confiar nele. Essa é uma distinção que faz pensar. O tipo mais perigoso de incredulidade não é a de alguém que nunca encontrou Deus. É a de alguém que encontrou Deus repetidas vezes e ainda se recusa a confiar nele. Existe alguma área da sua vida onde você viu Deus agir de novo e de novo e mesmo assim ainda está preso pelo medo? Ainda se segurando, ainda dizendo: "Mas e os gigantes? Esse é o espírito de Cades Barnéia e ele pode custar a sua terra prometida.
A terceira camada é que Deus estava protegendo Israel de si mesmo.
Uma nação de ex-escravos, psicologicamente destruídos e espiritualmente imaturos, enviada para batalhar contra guerreiros cananeus endurecidos. Isso não é conquista, isso é massacre. Teriam entrado em pânico na primeira resistência, teriam se rendido no primeiro revés. Deus não os mandou para o deserto porque estava com raiva deles. Mandou porque os amava demais para deixá-los se destruírem. Às vezes o não que parece rejeição é na verdade proteção. Às vezes o atraso que parece punição é, na verdade, preparação. Às vezes Deus te mantém no deserto não porque esqueceu a sua terra prometida, mas porque sabe que você ainda não é a pessoa que pode viver nela.
A quarta camada é a lição da dependência diária.
O maná não caía porque Israel estava no deserto. Caía para ensinar a Israel algo específico, que a vida vem da boca de Deus, não do chão. Toda manhã, durante 40 anos, Deus estava re-treinando os instintos deles. No Egito dependiam do faraó, no deserto aprenderam a depender de Deus. E essa lição não podia ser ensinada numa sala de aula. Tinha que ser vivida dia após dia, por décadas.
A quinta camada talvez seja a verdade mais contracultural de toda a Bíblia, o perigo da prosperidade.
Moisés avisou a nova geração explicitamente em Deuteronômio, capítulo 8. Quando vocês tiverem comido e estiverem satisfeitos, quando tiverem construído belas casas e a sua prata e o seu ouro aumentarem, então o coração de vocês se encherá de orgulho e vocês se esqueceram do Senhor, o seu Deus. O deserto ensinou a Israel que é mais fácil buscar a Deus quando não se tem nada do que quando se tem tudo. A escassez nos leva de joelhos. A prosperidade nos embala para dormir. O deserto tirou toda distração, toda falsa segurança, toda lealdade concorrente e deixou Israel a sós com Deus. E esse era o objetivo.
A sexta camada vai além de Israel e alcança a eternidade, o padrão profético. 40 nunca é um número aleatório na Bíblia. Moisés passou 40 dias no Sinai. Elias caminhou 40 dias até Oreb. Nínive recebeu 40 dias para se arrepender. Jesus jejuou 40 dias antes de começar o seu ministério. O número 40 é sempre um limiar, um período de provação e transformação que precede algo novo. Os 40 anos de Israel no deserto não foram apenas uma punição, foram um modelo profético, um padrão que se repetiria ao longo de toda a história da salvação, apontando para o deserto definitivo, aquele que Jesus entraria para enfrentar as mesmas tentações em que Israel falhou e vencer onde eles caíram.
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DURANTE OS 40 ANOS
Agora, deixe-me contar o que realmente aconteceu durante esses 40 anos. Porque não é o que a maioria das pessoas imagina. A maioria das pessoas imagina 40 anos de silêncio, 40 anos de nada. Deus virando as costas e indo embora. Nada poderia estar mais longe da verdade. A coluna de nuvem nunca partiu. Durante 40 anos, todo santo dia, uma manifestação visível da presença de Deus pairava sobre o acampamento. Nuvem de dia para protegê-los do sol do deserto, fogo de noite para iluminar a escuridão. Quando a nuvem se movia, eles se moviam. Quando parava, eles paravam. Todo dia bastava olhar para cima e lá estava a prova. Deus ainda está aqui. O maná nunca parou. Durante 40 anos, Deus preparou o café da manhã para uma nação inteira. Toda manhã, sem exceção, o pão aparecia no chão. Num deserto onde nada cresce, milhões de pessoas comiam todos os dias. Isso não é abandono, isso é fidelidade incansável, teimosa e diária.
E aqui tem um detalhe quase inacreditável. Deuteronômio, capítulo 8, versículo 4. As suas roupas não se gastaram e os seus pés não incharam durante esses 40 anos. Os sapatos deles duraram 40 anos. Suas roupas nunca rasgaram. Durante quatro décadas num deserto hostil, as leis normais do desgaste foram suspensas. Pense no que isso significa. Toda vez que olhavam para as suas sandálias, toda vez que vestiam a sua capa, estavam usando um milagre.
Agora considere os números por um momento.
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MILAGRES NÃO PARAM
Estudiosos estimam que o acampamento israelita no deserto tinha entre 15 milhões e meio e 2 milhões de pessoas. Para alimentar tanta gente num deserto, o maná diário precisava cobrir uma área enorme. O milagre logístico por si só, comida, água, saneamento, organização para uma cidade em movimento do tamanho de uma metrópole moderna é impressionante. Não era um pequeno grupo de nômades acampando sob as estrelas. Era uma das maiores comunidades organizadas do mundo antigo, sustentada inteiramente pela mão de Deus. Num lugar onde a sobrevivência deveria ser impossível. E Deus fez isso todo dia, sem falha, por 14.600 dias seguidos. Esse não é o comportamento de um Deus que abandonou o seu povo. Esse é o comportamento de um Deus obsessivamente, incansavelmente, teimosamente fiel, mesmo quando o seu povo não merece, mesmo quando reclamam do próprio maná que ele lhes dá. Mesmo quando o acusam de querer matá-los no lugar onde ele os mantém vivos.
Mas também houve momentos terríveis, a rebelião de Corá, quando 250 líderes desafiaram a autoridade de Moisés e a terra se abriu e os engoliu vivos. As serpentes venenosas enviadas quando o povo murmurou mais uma vez, embora Deus também tenha providenciado o remédio, uma serpente de bronze numa vara que curava qualquer um que olhasse para ela.
Séculos depois, Jesus apontaria para aquela serpente de bronze como imagem da sua própria crucificação. Assim como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que o filho do homem seja levantado.
E houve a falha de partir o coração do próprio Moisés. Em Meribá, quando o povo exigiu água mais uma vez, Deus disse a Moisés para falar com a rocha. Em vez disso, num momento de exaustão e raiva, Moisés bateu na rocha com o cajado e gritou: "Ouçam, rebeldes, será que nós temos que tirar água desta rocha para vocês?" A água saiu, mas Deus disse: "Porque vocês não confiaram em mim o suficiente para me honrar como santo diante dos israelitas, vocês não levarão esta comunidade à terra que eu lhes dou."
Moisés, o homem que tinha enfrentado o faraó, o homem que subiu o Sinai e falou com Deus face a face, o homem que intercedeu pelo povo inúmeras vezes, até ele não entraria na terra prometida.
Um momento de raiva mal colocada. E o maior líder da história de Israel perdeu o direito de completar a sua missão.
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FALTA COMPREENSÃO
Isso nos diz duas coisas.
Primeiro, Deus exige mais dos líderes, porque as suas ações representam Deus diante dos outros.
Segundo ninguém, absolutamente ninguém é importante demais para escapar das consequências das suas escolhas.
Ano após ano, a velha geração desapareceu. Um por um, foram sepultados na areia. E, enquanto desapareciam, algo novo surgia. Seus filhos, nascidos em tendas, criados com maná, sem conhecer outra vida além do deserto e do Deus que o sustentava nele, cresceram e se tornaram adultos com um caráter fundamentalmente diferente. Não tinham memória do Egito, nenhuma nostalgia pela mesa do faraó, nenhum faraó interior sussurrando que a escravidão era mais segura. Cresceram vendo a nuvem de Deus se mover à frente deles. Cresceram recolhendo o pão do céu toda manhã. Cresceram sabendo nos ossos que cada respiração vinha da mão de Deus. Essa era a estratégia de Deus desde o início. Ele não conseguia desprogramar 400 anos de escravidão da mente dos pais, mas conseguia programar algo inteiramente novo no coração dos filhos.
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O QUE ERA O DESERTO?
O deserto não era uma terra devastada, era uma incubadora. No deserto, Israel aprendeu comunidade. O tabernáculo ficava no centro do acampamento e as 12 tribos se organizavam ao seu redor em formação precisa. Se moviam juntos, acampavam juntos, adoravam juntos. No deserto não havia espaço para individualismo. Ou se sobrevivia como comunidade ou não se sobrevivia. E essa identidade comunitária, forjada na dificuldade compartilhada, se tornaria o alicerce da nação que estavam prestes a construir.
No deserto, Israel aprendeu a ouvir a voz de Deus. No Egito estavam cercados de barulho os deuses do Egito, a cultura do faraó, os valores de um império construído sobre a escravidão. No deserto, tudo isso foi retirado. Só restou o silêncio. E nesse silêncio Deus falou: O profeta Oséias, escrevendo séculos depois, capturou isso de forma linda. “Eu a conduzirei ao deserto e falarei ao seu coração com ternura”. Deus usa o deserto para falar, para tornar a sua voz a única voz.
No deserto, Israel aprendeu o tempo de Deus. E essa talvez seja a lição mais difícil de todas.
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DIAS ATUAIS
Vivemos num mundo onde tudo é instantâneo. Mensagens instantâneas, respostas instantâneas, satisfação instantânea. Mas Deus não opera no nosso cronograma. Os meus pensamentos não são os seus pensamentos e os seus caminhos não são os meus caminhos. Ele disse por meio de Isaías: "Às vezes o caminho mais longo é o único que te leva até lá como a pessoa certa. Às vezes o atraso não é punição, é a preparação que torna o destino possível".
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A VITÓRIA CHEGOU
Quarenta anos depois, o cenário havia mudado completamente. Moisés estava nas planícies de Moabe com 120 anos de idade, olhando para o outro lado do rio Jordão, para a terra de Canaã. A geração que saiu do Egito tinha partido, cada um deles sepultado no deserto, exatamente como Deus havia dito.
Diante de Moisés, agora estava um povo novo, endurecido pelo deserto, moldado pela dependência de Deus. Pronto. Moisés proferiu suas últimas palavras, o livro de Deuteronômio, um dos discursos mais poderosos da história humana. Relembrou tudo, as pragas, o mar, o maná, o bezerro de ouro, Cades Barnéia, os 40 anos e os advertiu: "Quando o Senhor, o seu Deus, lhes entregar esta terra, não digam no coração: Foi por causa da minha justiça que Deus me trouxe aqui. Não é por mérito de vocês, é por causa da sua promessa e da sua graça”.
Então veio o momento que parte o meu coração toda vez que o leio. Deus levou Moisés ao topo do Monte Nebo e mostrou-lhe toda a terra prometida, de norte a sul, de leste a oeste. Moisés podia ver tudo, as colinas da Galiléia, as florestas do Líbano, o Mar morto cintilando ao longe, o vale do Jordão verde e exuberante abaixo dele. Quarenta anos de caminhada e ali estava tudo pelo que trabalhou, tudo pelo que sofreu, tudo em que acreditou, mas não podia entrar.
Imagine estar no topo de uma montanha e ver a realização do propósito da sua vida estendida diante de você como uma pintura e saber que os seus pés nunca vão tocá-la. Imagine guiar milhões de pessoas pelas piores condições possíveis durante 40 anos. E depois ouvir: "Aqui é o mais longe que você vai". A Bíblia diz que os olhos de Moisés não estavam fracos e a sua força não tinha se esgotado. Não estava morrendo de velhice ou doença. Estava tão forte como sempre. Mas Deus disse: "Chegou a hora". E Moisés obedeceu a uma última vez. Obedeceu.
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NOVA FASE
O maior líder da história de Israel morreu ali na montanha com a terra prometida preenchendo a sua visão. E Deus o sepultou pessoalmente num túmulo que ninguém jamais encontrou, como se o próprio Deus quisesse dizer: "Este aqui é meu". Israel pranteou Moisés por 30 dias e então era hora de seguir em frente.
A liderança passou para Josué, um dos dois espias fiéis, o homem que 40 anos antes tinha ficado em Cades Barnéia e dito: "Nós podemos fazer isso. Deus está conosco."
Durante 40 anos, Josué esperou por esse momento e agora ele tinha chegado. As palavras de Deus a Josué ecoam pelos séculos. Seja forte e corajoso. Não tenha medo. Não desanime, porque o Senhor, o seu Deus, estará com você por onde quer que você vá.
Quando Josué conduziu o povo ao rio Jordão, ele se abriu, assim como o Mar Vermelho 40 anos antes.
A nova geração caminhou por terra seca, assim como seus pais, mas dessa vez não olharam para trás. O maná parou no dia seguinte. Durante 40 anos, o pão tinha caído do céu. E então, sem aviso, cessou, porque não precisavam mais dele. Estavam na terra.
O tempo de preparação tinha terminado, o tempo de posse tinha começado. E essa nova geração fez o que seus pais tiveram medo demais de fazer.
Lutaram, conquistaram cidade após cidade, batalha após batalha, não porque eram mais fortes, não porque eram mais corajosos, mas porque foram forjados no deserto, porque sabiam quem era o seu Deus, porque não tinham nenhum Egito para o qual voltar e nenhum faraó na cabeça dizendo que eram escravos.
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SAIBA ESPERAR
Agora quero contar algo sobre um homem chamado Calebe, porque a história dele talvez seja a mais inspiradora de todo esse relato.
Calebe foi um dos dois espias fiéis. Em Cades Barnéia, quando todos disseram não podemos, Calebe disse: "Com certeza podemos". Por essa fé, Deus poupou a sua vida. Mas Calebe ainda teve que caminhar pelo deserto durante 40 anos ao lado da geração que fracassou. Viu seus companheiros morrerem um por um ano após ano. Esperou por 40 anos.
Quando a conquista finalmente começou, Calebe tinha 85 anos. 85, isso mesmo. A maioria das pessoas nessa idade está procurando descanso. Calebe estava procurando uma batalha.
Ele foi até Josué e disse algo que ainda me arrepia. Dá-me esta montanha. Não o Vale, não uma Planície, não um pedaço de terra já desocupado. Ele queria a montanha, a montanha específica onde viviam os gigantes, os anaquins, os mesmos gigantes que tinham aterrorizado os outros espias quatro décadas antes.
E ele disse: "Ainda estou tão forte hoje quanto no dia em que Moisés me enviou. A minha força agora é a mesma de antes, tanto para a guerra quanto para ir e vir. Quarenta anos de deserto não enfraqueceram Calebe, forjaram-no.
Enquanto a geração sem fé via aqueles anos como uma sentença de morte, Calebe os via como treinamento, o mesmo deserto, os mesmos anos. Resultado completamente diferente, porque a diferença nunca esteve no deserto, a diferença estava no coração.
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PERGUNTAS E RESPOSTAS
E agora?
E essa é a pergunta que esta história coloca diante de você hoje.
Você está num deserto agora?
Talvez esteja lá há muito tempo.
Talvez se sinta esquecido. Talvez tenha orado e nada parece mudar. Talvez olhe ao redor e não veja nada além de areia e silêncio e esteja se perguntando se Deus te abandonou.
Ele não abandonou.
Talvez o seu deserto seja uma temporada de espera.
Espera por uma porta se abrir.
Espera por uma oração ser respondida.
Espera por algo mudar que já é igual há tanto tempo que você parou de acreditar que algum dia mudará.
Talvez o seu deserto seja uma temporada de perda, a perda de alguém que ama, a perda de um sonho, a perda da vida que achava que teria a esta altura.
Talvez o seu deserto seja solidão ou doença, ou fracasso, ou aquela sensação esmagadora de que todo mundo já cruzou o seu Jordão enquanto você ainda está preso na areia.
Preciso que você ouça isso. Todo deserto tem data de validade. Quarenta anos é o deserto mais longo da Bíblia e até esse terminou.
O Jordão se abriu, o maná parou porque não era mais necessário. A terra que mana leite e mel era real, e as pessoas que suportaram o deserto entraram nela. O seu deserto não é para sempre, mas o que você faz no deserto determina o que você leva dele.
Calebe levou força. Os murmuradores não levaram nada, não conseguiram nem sair vivos.
O maná continua caindo, a nuvem continua lá. Os seus sapatos não estão se gastando.
Deus não está te punindo.
Ele está te preparando.
O deserto não é o seu destino final. É o seu campo de treinamento.
É o lugar onde Deus retira tudo o que não é essencial para que a única coisa que reste seja você e Ele.
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NÃO DESISTA, INSISTA
Mas aqui está o que você precisa decidir. Você vai ser a primeira geração ou a segunda?
Vai passar os seus anos no deserto reclamando, olhando para trás, desejando as panelas de carne do Egito? (como se os escravos comecem à mesa do Faraó).
Ou vai ser como Calebe, usando a espera para se fortalecer? para aprofundar a sua confiança, para se tornar a pessoa que pode entrar na terra prometida e de fato tomá-la.
A diferença entre onze dias e quarenta anos nunca foi sobre distância, foi sobre o coração.
Deus não está pedindo que você seja perfeito. Está pedindo que confie nele, que pare de olhar para trás, que pare de se ver como gafanhoto, que pare de tentar eleger um novo líder e voltar para o Egito. Ele está pedindo que você olhe para os gigantes da sua vida e diga o que Calebe disse. A proteção dele se foi. O Senhor está conosco.
A sua terra prometida é real. Não é fantasia.
Não é só para outras pessoas. Deus a prometeu a você e Deus não quebra as suas promessas.
Mas você precisa estar disposto a cruzar o Jordão. Precisa estar disposto a enfrentar os gigantes. Precisa estar disposto a deixar o deserto fazer a sua obra em você.
Porque o Deus que te tirou do seu Egito é o mesmo Deus que vai te levar à sua terra prometida. O Deus que tem te alimentado com maná no deserto é o mesmo Deus que tem leite e mel esperando do outro lado. O Deus que esteve com você no fogo durante a noite é o mesmo Deus que vai lutar as suas batalhas à luz do dia.
Quarenta anos de maná toda manhã, 40 anos de nuvem de dia e fogo de noite, 40 anos de roupas que nunca se gastaram, 40 anos de presença, constante, fiel, teimosa, inabalável, mesmo quando o seu povo murmurava, reclamava e implorava para voltar às correntes.
Se Deus foi tão fiel a um povo que o testou 10 vezes, ele será fiel a você.
Se Deus não desistiu de Israel no deserto, ele não vai desistir de você no seu.
Mesmo no deserto, Deus satisfaz. Mesmo na espera, Deus provê.
Mesmo no silêncio, Deus fala. E do outro lado do seu deserto existe uma terra que emana leite e mel com o seu nome nela.
Não morra no deserto olhando para trás, para o Egito. Cruze o Jordão, tome a montanha. Os seus 40 anos podem acabar hoje.
Quero deixar uma última imagem com você.
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UMA ÚLTIMA MENSAGEM
Quando Josué conduziu o povo através do Jordão, Deus disse-lhe que 12 homens pegassem 12 pedras do meio do leito do rio e as empilhassem do outro lado. Um memorial, uma pilha de pedras.
E Deus disse a Josué o porquê. Para que quando os seus filhos perguntarem amanhã o que significam estas pedras, vocês possam dizer: "Foi aqui que Deus nos fez passar".
Um dia você vai olhar para trás, para esta temporada da sua vida, este deserto, esta espera, esta luta e vai empilhar as suas próprias pedras. Vai dizer a alguém: "Foi aqui que Deus me sustentou. Foi aqui que ele me alimentou quando eu não tinha nada. Foi aqui que ele me carregou quando eu não conseguia caminhar. Foi aqui que aprendi a confiar Nele”.
O seu deserto não é o fim da sua história. É o capítulo que torna tudo o que vem depois possível.
Lembre-se de que Deus não o esqueceu.
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MENSAGEM DE OTIMISMO E FÉ
Que o Senhor te abençoe e te guarde.
Que o Senhor faça resplandecer o seu rosto sobre ti e tenha misericórdia de ti.
Que o Senhor volte para ti o seu rosto e te dê paz.